Entrevista da Rolling Stone BR com Paul McCartney em 2010, logo após os shows da 'Up and Coming Tour'!
Semana Especial Sir Paul!
Paul McCartney completa 70 anos nesta segunda-feira, 18, em
plena atividade: o ex-beatle continua fazendo turnês, gravando discos e fazendo
parcerias com músicos de diversas gerações, como aconteceu na última edição do Grammy.
Em 2010, quando Paul trouxe ao nosso país a turnê Up and Coming pela primeira
vez, ele conversou com a Rolling Stone Brasil sobre passado, presente e futuro.
Relembre a íntegra da entrevista abaixo:
Há pelo menos um par de décadas, as apresentações ao vivo de
Paul McCartney começam da mesma forma: os telões exibem uma retrospectiva dos
mais de 50 anos de carreira do músico, dos primórdios em Liverpool a
acontecimentos recentes. Soa redundante - um dos maiores expoentes da história
do rock deveria dispensar apresentações formais. Ao mesmo tempo, essa
introdução cumpre sua função emocional, a de deixar claro que ali, naquele
palco, se apresentará uma verdadeira lenda.
E, como todo ícone, McCartney já passou por situações que
escapam à vida de uma pessoa normal. Ou mesmo a de alguém que tenha tido uma
vida excepcional. Ele vendeu centenas de milhões, tornou-se Sir (ou seja, um
Cavaleiro do Império Britânico) e regularmente encabeça a lista dos artistas
mais ricos do planeta. E, claro, integrou um dos melhores grupos de todos os
tempos: o Wings. E os Beatles também - o melhor de todos os tempos.
Não é de espantar, então, que aos 68 anos ele queira
diminuir o ritmo de sua carreira. A turnê mais recente, a Up and Coming, tem 30
datas e passa pelo Brasil neste mês, com uma apresentação em Porto Alegre e
duas em São Paulo. Ao mesmo tempo, chega às lojas uma versão de luxo do álbum
Band on the Run (1973), iniciando um programa que não só deve restaurar a
sonoridade dos trabalhos solo do músico, mas também alimentar a recente
reavaliação dessas obras por parte das novas gerações (McCartney jura que muitas
músicas da carreira solo são mais bem recebidas nas apresentações atuais do que
antigas faixas dos Beatles).
No mês que vem, o músico segue para sua segunda visita à
Casa Branca em 2010, para receber a Kennedy Center Honor, honraria que celebra
artistas de contribuição exemplar à cultura norte-americana (mesmo os não
nascidos em solo ianque, como Sir Paul). Na primeira vez, em junho, ele recebeu
o Prêmio Gershwin, da Biblioteca do Congresso, dedicado a compositores que se
destacam na música popular. "Por definição, a música popular é
fugaz", disse o presidente norte-americano Barack Obama ao apresentar a
honraria. "Raramente ela é composta visando vencer o teste do tempo. Mais
raramente ainda, ela atinge essa distinção. E é isso o que torna a carreira de Paul
tão lendária."
Portanto, sim, a desaceleração da carreira de Paul McCartney
é tão extraordinária quanto a vida dele. E, por isso, nem parece uma diminuição
de ritmo. Não para os padrões da indústria musical. É mais como uma subtração
de intensidade. Falando pelo telefone ("Paulo? Oi, aqui é o Paulo da
Inglaterra", brincou logo em sua primeira frase) em uma viagem entre
Londres e sua casa, em Sussex, na Inglaterra, com uma voz de quem acabou de
acordar (ou, pelo menos, ainda está muito cansado do dia anterior), o músico
conversou com a Rolling Stone Brasil sobre o processo criativo de suas turnês
recentes, seu estilo atual de composição, as faixas ainda inéditas dos Beatles
e a arte de transformar uma música sobre a própria morte em algo palatável aos
fãs.
Os seus filhos o chamam de Sir?
Não... De jeito nenhum! Só de "pai" mesmo.
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